Tenho buscado adotar algumas práticas propostas pelas metodologias ágeis para a gestão de projetos, pois entendo que só utilizar o PMBOK não é suficiente para um cenário de incertezas cada vez maiores nos projetos. Quando se busca abordagens para a gestão de projetos deve-se considerar que:

a) processos de gestão de projetos orientados a produção enfatiza um planejamento completo e uma especificação de requisitos com o mínimo de alterações no decorrer do projeto.

b) os processos de gestão de projetos baseados na exploração enfatizam planejamento básico, requisitos suficientemente bons e projeto experimental e evolutivo com aprendizado e mudanças ao decorrer do projeto.

Qual a melhor abordagem certamente vai depender do tipo de projeto, e cada abordagem tem o seu ciclo de vida próprio. Escolher o modelo de gestão está associado com nossa percepção sobre o mundo. Se o mundo é percebido com estático o estilo de gestão orientado a produçã predominará. Se o mundo e percebido como dinâmico, o estilo de gestão baseado em exploração predominará. Certamente o mundo dos nossos projetos não são tão binários, e muitas vezes será necessário ponderar entre essas duas abordagens.

Jim Highsmith propõe no seu livro Agile Project Management: Creating Innovative Products, Second Edition um modelo baseado em exploração para gestão de projetos. Esse modelo tem cinco fases: visão, especulação exploração, adaptação e encerramento. Veja a figura a seguir:

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Observe a mudança de nomes das fases tradicionais de iniciação, planejamento, definição, projeto, implementação e teste. As palavras conferem certos significados e imagens visuais que afloram a partir do uso sistemático ao longo do tempo:

1. Visão substitui a fase tradicional de iniciação para destacar a criticidade da fase de visão. Determina a visão do produto do projeto seus objetivos e restrições, a equipe do projeto, e como a equipe irá trabalhar junta.

2. Especulação substitui a fase de planejamento. A palavra plano ficou associada com predição e relativa certeza. Especulação indica que o futuro é incerto. É melhor especular e adaptar em vez de planejar e implementar. Não se deve frente a uma incerteza planeja-lá e seguir em frente. Desenvolve-se a capacidade e o plano de release baseado nas funcionalidades que serão entregues a partir do que foi definido na visão.

3. Exploração substitui as fases de projeto, implementação e testes. Explorar significa explicitamente algo não linear, concorrente e diferente do modelo cascata. Planeja-se e entrega-se funcionalidades a partir de iterações curtas, cuidando para reduzir riscos e incertezas do projeto

4. A adaptação permite que se mantenha o olhar na visão, controlar as informações e fazer as adaptações necessárias para as condições atuais. Revisa-se os resultados entregues, a situação atual e a performance da equipe e faz-se as adaptações necessárias.

5. O encerramento tem como objetivo primário a transferência de conhecimento e celebração.

A figura a seguir mostra essas atividades em dois ciclos colaborativos: um ciclo de visão  que inclui as fases de visão  e especulação e um ciclo de exploração que inclui as fases de imageexploração e adaptação. Dessa forma enfatiza-se ciclos em vez de fluxos, indicando que todo ou parte do ciclo de visão deve ser executado múltiplas vezes durante um projeto. Por exemplo: um plano de release revisado deve ser construído a cada uma ou duas iterações. Num projeto de longa duração o resultado completo do ciclo de visão deve ser revisado periodicamente.

E você, como faz a gestão dos seus projetos? Utiliza só PMBOK, ou faz uso também de práticas ágeis?

Artigo adaptado a partir do livro: Agile Project Management: Creating Innovative Products, Second Edition. Jim Highsmith